sexta-feira , 17 julho 2026
Início Distrito Federal Sequelas da covid-19 atormentam brasilienses mesmo após o fim da pandemia
Distrito Federal

Sequelas da covid-19 atormentam brasilienses mesmo após o fim da pandemia

268

A técnica de enfermagem Maria Lúcia Vieira de Pádua, de 54 anos, exemplifica a dura realidade enfrentada por milhares de moradores do Distrito Federal (DF) que lidam com as sequelas da covid-19. Infectada três vezes pela doença, a última em julho deste ano, ela desenvolveu problemas cardiovasculares, como pressão alta e alterações no coração, além de ansiedade, vivendo agora à base de medicamentos. Apesar do arrefecimento da pandemia, o DF registrou 35 mortes por covid-19 em 2025, segundo a Secretaria de Saúde (SES), com 80% das vítimas sendo idosos acima de 70 anos. Dos óbitos, 33 ocorreram em pessoas vacinadas, variando de uma a quatro doses, e foram reportados 444 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), forma grave da doença que aumenta o risco de sequelas. As regiões com mais mortes incluem Planaltina e Plano Piloto, com cinco casos cada, seguidas por Ceilândia e Taguatinga, com quatro.

Especialistas como o infectologista André Bon, do Hospital Brasília, e Julival Ribeiro, do Hospital de Base do DF (HBDF), enfatizam a vacinação como principal medida preventiva, especialmente para idosos e grupos com comorbidades. Bon afirma que as vacinas atualizadas e tratamentos disponíveis na rede pública são suficientes para conter surtos, enquanto Ribeiro alerta que 10% a 20% dos infectados desenvolvem covid longa, com sintomas como fadiga crônica, alterações neurológicas e disfunções cardiovasculares persistindo por pelo menos 12 semanas. A vacina integra o Calendário Nacional de Vacinação para crianças de 6 meses a menores de 5 anos, gestantes e idosos, com doses anuais recomendadas para grupos prioritários, incluindo imunossuprimidos e trabalhadores da saúde.

A professora Anamelia Lorenzetti Bocca, da Universidade de Brasília (UnB), destaca que variantes como a ômicron e subvariantes como KP.8.1 e XEC continuam circulando, escapando parcialmente da imunidade e exigindo reforços vacinais, pois a proteção não é de longa duração. Desde 2020, o DF acumula 968.417 casos e 12.047 mortes pela doença, com mortalidade concentrada em idosos e imunossuprimidos. Campanhas como a de Multivacinação, encerrada em outubro, e estratégias como o Carro da Vacina visam ampliar a cobertura, mas o alerta permanece: sintomas atuais podem ser leves em vacinados, mas sequelas graves afetam pulmões e cognição, demandando acompanhamento médico.

Conteúdo relacionado

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Distrito Federal

SES-DF contrata médicos como pessoa jurídica para suprir faltas na rede pública

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) vai contratar médicos na...

Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília
Distrito FederalPolítica

Celina Leão promete tolerância zero após mortes de gestantes e homem em hospitais do DF

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, anunciou tolerância zero diante das...

CBMDF
Distrito FederalSegurança

Incêndio em apartamento no Gama provoca evacuação de prédio no DF

Um incêndio em um apartamento no 21º andar de um prédio residencial...

Faixa elevada em rua próxima a escola no Distrito Federal
Distrito FederalPolíticaSegurança

DF aprova lei que obriga faixas elevadas em escolas e hospitais

A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou e o governador sancionou a...