Investigadores revelaram um esquema de sonegação de impostos que causou prejuízos estimados em R$ 26 bilhões aos cofres públicos de São Paulo, Rio de Janeiro e da União, envolvendo o grupo Refit, atuante no setor de combustíveis. Comandado pelo empresário Ricardo Magro, o grupo é apontado como o maior devedor de impostos em São Paulo, o segundo no Rio de Janeiro e um dos principais na esfera federal. A operação Poço de Lobato, deflagrada na quinta-feira (27), cumpriu mandados contra 190 alvos, incluindo pessoas físicas e empresas ligadas direta ou indiretamente ao Refit. De acordo com relatos, o esquema operava pulverizando recursos em diversas empresas para dificultar o rastreamento, utilizando inclusive fundos de investimento para ocultar valores obtidos com fraudes fiscais, principalmente relacionadas ao ICMS, imposto crucial para as finanças estaduais.
O caso destaca o conceito de “devedor contumaz”, categoria na qual o Refit se enquadra por sonegar impostos de forma sistemática em toda a cadeia de combustíveis. Ricardo Magro, figura central, mantém relações com pessoas influentes em Brasília, o que levanta questões sobre possíveis proteções políticas. A operação repercutiu imediatamente no Congresso Nacional, onde o presidente da Câmara anunciou o relator de um projeto de lei destinado a endurecer regras contra crimes semelhantes, embora o texto avance lentamente.
Especialistas, como os jornalistas Bruno Tavares e Malu Gaspar, analisaram o episódio em podcast, explicando que o próximo passo da investigação inclui aprofundar o rastreamento de ativos e possíveis conexões políticas, potencializando debates sobre fiscalização tributária e combate à corrupção em níveis federais e estaduais.