Em meio ao aumento de fraudes financeiras no Brasil, o golpe do cartão trocado continua a fazer vítimas em locais de grande aglomeração, como saídas de shows e blocos de carnaval em São Paulo. Lucas Hiroshi, de 25 anos, relatou ter perdido R$ 4 mil ao comprar uma garrafa de água de R$ 3 de um vendedor ambulante no bairro de Pinheiros, na Zona Oeste da capital paulista, durante o feriado de 15 de novembro. Segundo ele, o criminoso distraiu-o durante o pagamento, trocando seu cartão múltiplo do Mercado Pago por um similar, sem o nome do titular impresso, o que dificultou a percepção imediata da fraude. Minutos após a transação via PIX, Lucas recebeu notificações de compras não autorizadas, incluindo saques e débitos que totalizaram o prejuízo. O caso ganhou repercussão com um vídeo no TikTok que ultrapassou 600 mil visualizações, destacando a frequência desse tipo de crime em ambientes movimentados.
Outra vítima, Pedro Henrique Barboza Alves, afirmou ter sofrido um golpe similar ao adquirir águas na saída de um show de Gilberto Gil, resultando em um prejuízo de R$ 16 mil por transações não autorizadas. Ambos os casos envolvem cartões da mesma instituição, e as vítimas entraram com ações contra o Mercado Pago, que enfatizou investimentos em segurança e a necessidade de atenção redobrada dos usuários. A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) aponta que o sistema brasileiro é avançado, com redução de 40% nas fraudes nos últimos três anos, mas especialistas alertam para outros golpes comuns, como maquininhas infectadas com o vírus Prilex ou visores quebrados que mascaram valores inflados. Esses incidentes levantam debates sobre a eficácia das regulamentações financeiras e a necessidade de políticas públicas mais rigorosas para proteger consumidores em eventos públicos.
Dicas de proteção incluem não entregar o cartão físico ao vendedor, optar por PIX ou dinheiro em caso de falhas na aproximação, e monitorar regularmente as faturas via aplicativos bancários. Embora o Mercado Pago reabra casos após contatos, a ausência de respostas definitivas sobre reembolsos e a falta de comentários sobre cartões sem nomes impressos reforçam a urgência de maior transparência e fiscalização por parte de órgãos reguladores, como o Banco Central, para mitigar impactos econômicos em uma sociedade cada vez mais digitalizada.