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José Antonio Kast vence eleição no Chile e assume presidência com plataforma conservadora

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O direitista José Antonio Kast foi eleito presidente do Chile após uma vitória expressiva sobre a candidata comunista Jeannette Jara no segundo turno das eleições. Jara reconheceu a derrota publicamente em sua conta no Twitter, desejando sucesso ao presidente eleito para o bem do país. Kast, um advogado católico de 59 anos, nascido em Paine, na região metropolitana de Santiago, é o caçula de dez filhos de imigrantes alemães que chegaram ao Chile após a Segunda Guerra Mundial. Sua ascensão política foi surpreendente, pois anos atrás, até seus amigos mais próximos, como Rodrigo Pérez Stiepovic, consideravam impensável sua candidatura à presidência. Kast tentou o cargo três vezes: em 2017, ficou em quarto lugar com 8% dos votos; em 2021, venceu o primeiro turno, mas perdeu para Gabriel Boric no segundo, com 44% contra 56%. Nesta eleição, ele superou Jara, que liderou o primeiro turno, graças ao apoio de candidatos derrotados como o libertário Johannes Kaiser e a conservadora Evelyn Matthei.

A trajetória de Kast inclui controvérsias ligadas ao passado familiar e político. Seu pai, Michael Kast, foi apontado por investigações jornalísticas como membro do partido nazista em 1942, embora o candidato negue qualquer ligação com o nazismo. Kast defendeu o regime de Augusto Pinochet, afirmando que votaria nele se estivesse vivo, e valoriza avanços econômicos da ditadura, apesar das violações de direitos humanos. Ele começou na política como estudante na Universidade Católica, ligado ao Movimento Guild de Jaime Guzmán, e foi vereador e deputado pela União Democrática Independente (UDI), antes de fundar o Partido Republicano. Casado com María Pía Adriasola, com quem tem nove filhos, e próximo ao movimento católico Schoenstatt, Kast rejeita o rótulo de extrema-direita, mas sua plataforma evoca comparações com líderes como Donald Trump, Javier Milei, Nayib Bukele e Viktor Orbán. Ele parabenizou Trump pela vitória em 2024 e elogiou a abordagem de Bukele contra o crime.

No governo, Kast promete um “governo de emergência” focado em segurança e migração, com medidas como cercas ou valas nas fronteiras com Bolívia e Peru, inspiradas em Trump, e uma “mão de ferro” como a de Bukele, cuja megaprisão ele visitou. Economicamente, propõe um ajuste fiscal de US$ 6 bilhões em 18 meses, cortando “gastos políticos”, ecoando Milei. Analistas como Robert Funk, da Universidade do Chile, veem nele uma direita nacionalista populista. Apesar de minimizar pautas culturais como oposição ao aborto para atrair votos femininos, Kast mantém convicções conservadoras, como defesa da vida desde a concepção. Sua vitória reflete a tração de seu movimento, após derrotas em 2021 e na reforma constitucional de 2023.

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