quinta-feira , 8 outubro 2026
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Facções criminosas intensificam disputa por portos no Ceará para expandir tráfico internacional

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Um relatório da Polícia Civil do Ceará, de agosto deste ano, revela que a facção Comando Vermelho (CV) está em confronto com os Guardiões do Estado (GDE) pelo controle dos bairros ao redor do Porto do Mucuripe, em Fortaleza. O CV, que já domina o entorno do Porto do Pecém, o maior do estado localizado em São Gonçalo do Amarante, busca expandir sua influência para facilitar o tráfico internacional de drogas, aproveitando a posição estratégica dos portos cearenses com a Europa e os Estados Unidos. O conflito, que se intensificou desde junho na região do grande Vicente Pinzón, incluindo bairros como Papicu, Cais do Porto e Praia do Futuro, resultou em violência que levou à suspensão de aulas em escolas locais em setembro. A GDE, aliada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), controlava anteriormente a área do Mucuripe, mas a absorção recente pela facção Terceiro Comando Puro (TCP) deixa incerto o equilíbrio de forças.

Investigações da Polícia Federal destacam a atuação de quadrilhas no tráfico, como a descoberta em 2019 de 329 quilos de cocaína em um contêiner no Porto do Pecém, destinado à Bélgica, o que revelou uma organização comandada por Marcelo Mendes Ferreira e Karine de Oliveira Campos, com ramificações em vários estados brasileiros e no exterior. O esquema utilizava o método “Rip On/Rip Off” para inserir drogas em cargas lícitas, recrutando funcionários de empresas portuárias e criando firmas de fachada para lavagem de dinheiro. Em 2023, a Operação Dontraz expôs ligações do PCC com mafiosos sérvios, enviando cocaína da costa cearense para a Europa, incluindo uma apreensão de 1,2 tonelada em um pesqueiro que partiu do Mucuripe. Apreensões recentes, como 130 quilos no Pecém e 416 quilos no Mucuripe em fevereiro de 2025, indicam a persistência do fluxo de entorpecentes apesar das operações policiais.

Além do tráfico, facções como CV e PCC diversificam atividades no Ceará, controlando serviços locais como internet, jogo do bicho e taxas sobre comércios, inspirados no modelo de milícias do Rio de Janeiro. Segundo o professor Fillipe Azevedo Rodrigues, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, essa expansão visa monopolizar territórios para maximizar lucros, criando estruturas paralelas ao Estado e impactando a sociedade com violência e disputas territoriais.

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