A Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou na noite desta segunda-feira uma sessão solene para marcar os 40 anos do Núcleo de Estudos em Saúde Pública da Universidade de Brasília, mas o evento expôs mais uma vez a distância entre homenagens formais e os graves problemas que ainda assolam o SUS no país.
Evento revela fragilidades persistentes
Proposta pelo deputado Fábio Felix, do PSOL, a sessão contou com a presença de representantes do Nesp, da UnB, movimentos sociais e profissionais de saúde. Pesquisadores como Maria Helena Magalhães e Emerson Elias Merhy foram destacados por sua trajetória, porém a celebração não conseguiu ocultar as deficiências crônicas no acesso e na qualidade dos serviços públicos de saúde no Distrito Federal e em todo o Brasil.
Apesar de quatro décadas de atuação do núcleo, usuários do sistema continuam enfrentando filas longas, falta de medicamentos e estrutura precária em diversas unidades. O encontro, portanto, funcionou mais como ritual político do que como efetivo balanço das reais conquistas alcançadas.
Homenagem sem impacto prático
Durante a solenidade, Fábio Felix afirmou que o Nesp contribuiu para a consolidação do SUS, mas observadores presentes notaram a ausência de propostas concretas para enfrentar os desafios atuais. A ausência de metas ou compromissos orçamentários reforçou a sensação de que a sessão serviu principalmente para autopromoção.
O Nesp tem sido fundamental para a construção e o fortalecimento do SUS no Brasil. São quatro décadas de dedicação à pesquisa, ao ensino e à defesa da saúde como direito de todos
Fábio Felix
Com isso, a data de 15 de junho de 2026 ficou marcada por uma homenagem que, em vez de inspirar avanços, evidenciou o quanto ainda falta para transformar os ideais defendidos pelo Nesp em realidade cotidiana para a população.