O empreendedorismo negro no Brasil registrou um crescimento significativo na última década, passando de 13,1 milhões para 16 milhões de empresários entre 2014 e 2024, conforme dados do Sebrae. No entanto, profundas desigualdades persistem, com empresários brancos obtendo rendimentos médios quase duas vezes superiores aos dos negros. Em 2023, o rendimento médio de um empreendedor negro foi de R$ 2.477, contra R$ 4.607 para os brancos. Essa disparidade se agrava ao considerar gênero e raça: homens brancos lideram com R$ 5.066, enquanto mulheres negras recebem em média R$ 1.986. Mesmo com níveis de escolaridade comparáveis, como as mulheres negras apresentando 65,4% com ensino médio completo ou mais, contra 65,2% dos homens brancos, os rendimentos não refletem essa qualificação, destacando barreiras estruturais enraizadas no racismo.
Empreendedores como Maria Rosângela de Sousa, maquiadora que abandonou o mercado formal devido a salários baixos e burnout, enfrentam instabilidade financeira como principal obstáculo. Sandra Campos, fundadora da CollaboRHe Consultoria, enfatiza a falta de autonomia no mercado formal e a importância de qualificação acessível para mulheres negras, muitas vezes provedoras de suas famílias. Héctor Vieira, criador da Sankofa Negócios Negros, aponta o impacto psicológico do racismo, que gera desgaste emocional e dificulta o acesso a crédito e parcerias. Carlos Sousa, mentor em posicionamento estratégico, observa avanços na valorização de negócios negros, mas ressalta barreiras sutis como negociações mais duras e necessidade de provar competência excessivamente.
No Distrito Federal, onde 60,8% dos ocupados são negros, os rendimentos médios são 42,6% inferiores aos dos não negros, segundo o IPEDF e Dieese. Especialistas defendem redes de apoio entre negros e políticas públicas efetivas, como acesso a crédito e capacitação, para combater o racismo estrutural. Para marcar o Mês da Consciência Negra, o Correio Braziliense promove o debate “Histórias de Consciência: mulheres em movimento” em 19 de novembro de 2025, com painéis sobre o protagonismo feminino negro, transmitido ao vivo pelo YouTube.