sábado , 17 janeiro 2026
Início Segurança Feminicídio no Exército: soldado confessa crime contra cabo em contexto de violência de gênero
Segurança

Feminicídio no Exército: soldado confessa crime contra cabo em contexto de violência de gênero

43

O Distrito Federal registrou o 26º caso de feminicídio neste ano com a morte de Maria de Lourdes Freire Matos, uma cabo de 25 anos e musicista da Fanfarra do 1º Regimento de Cavalaria de Guardas. Encontrada carbonizada após um incêndio no quartel no Setor Militar Urbano, a vítima apresentava um corte profundo no pescoço causado por um punhal. O soldado Kelvin Barros da Silva, de 21 anos, confessou o crime, alegando versões contraditórias, incluindo uma suposta discussão por relacionamento, mas fontes próximas e familiares negam qualquer vínculo, apontando para possível perseguição. A advogada Leila Santiago, representante da família, reforça que o crime pode ter sido motivado pela rejeição à autoridade feminina, já que Maria coordenava o soldado no momento do ataque, ocorrido em uma sala de isolamento acústico sob pretexto de problema técnico. O agressor provocou o incêndio para destruir provas e fugiu, sendo capturado no Paranoá pela Polícia Civil do Distrito Federal.

A investigação, conduzida pela 2ª Delegacia de Polícia e pelo Batalhão de Polícia do Exército, revelou que Kelvin apresentou cinco relatos inconsistentes, incluindo alegações de surto psicótico da vítima e assédio por parte dela. Ele foi preso em flagrante, convertido em preventiva, e autuado por feminicídio, furto de arma, incêndio e fraude processual, com expectativa de exclusão da Força. O Exército instaurou um Inquérito Policial Militar e lamentou o ocorrido, destacando a dedicação de Maria, que era católica, disciplinada e focada em concursos para o Corpo de Bombeiros e Força Aérea. Especialistas como Ivonete Granjeiro, consultora legislativa da Câmara Legislativa do DF, enfatizam a aplicação da Lei nº 14.994/24, que qualifica o homicídio por razões de gênero como crime hediondo, com pena de 20 a 40 anos, e defendem a competência da Justiça Comum para o julgamento, além de políticas públicas para educação em igualdade de gênero e fortalecimento de redes de proteção.

O caso expõe desafios em instituições militares, com cultura hierárquica e masculinista, conforme analisa Lucia Bessa, presidente do Instituto Viva Mulher. Ela defende treinamentos obrigatórios sobre a Lei Maria da Penha, canais de denúncia independentes e protocolos para afastamento imediato de agressores, visando prevenir violência seletiva contra mulheres. A família aguarda o laudo do Instituto Médico Legal para o sepultamento, enquanto o Comando Militar do Planalto oferece apoio.

Conteúdo relacionado

Ônibus depredados por vândalos em rua de Brasília, DF, com danos visíveis em vidros e carrocerias.
Distrito FederalSegurança

Vândalos desconhecidos depredam dezenas de ônibus em ação orquestrada no Distrito Federal

Vândalos desconhecidos realizam ataque orquestrado, depredando dezenas de ônibus no Distrito Federal,...

Smartphone com site falso de saneamento em mesa de escritório em Brasília, alertando para golpes online no DF.
Distrito FederalSegurança

Caesb alerta para onda de golpes online com sites falsos no DF

Caesb emite alerta sobre onda de golpes online com sites falsos que...

Incêndio em vegetação danifica oito carros em Vicente Pires, DF, com chamas e fumaça em área urbana.
Distrito FederalSegurança

Incêndio em vegetação danifica oito carros em Vicente Pires, no DF

Incêndio em vegetação no Setor Habitacional Vicente Pires, DF, danifica oito carros...

Cela de prisão brasileira com bíblia, documentos jurídicos e TV antiga, representando recomendações da PGR para assistência religiosa e redução de pena, sem Smart TV.
Distrito FederalPolíticaSegurança

PGR recomenda assistência religiosa e redução de pena para Bolsonaro, mas rejeita Smart TV na cela

PGR sugere assistência religiosa e redução de pena por leitura para Bolsonaro,...