A Marinha do Brasil iniciou testes no mar com a primeira fragata Tamandaré, um navio de guerra construído no Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, Santa Catarina. A embarcação, que deixou o estaleiro em 3 de dezembro com militares e civis a bordo, visa garantir a confiabilidade de seus sistemas antes da incorporação plena. Os testes, previstos para encerrar no início de 2026, focam na execução dos requisitos contratados, incluindo a integração das cadeias de sistemas de combate. Fernando Queiroz, CEO da Águas Azuis, responsável pelo Programa Fragatas Classe Tamandaré, explicou que todos os fatores precisam se comunicar eficientemente para otimizar o Combat Management System (CMS), assegurando o melhor desempenho operacional. Essa iniciativa representa um avanço significativo no programa nacional de defesa, com investimento de R$ 11 bilhões e transferência de tecnologia entre o Brasil e a Alemanha.
A fragata Tamandaré, inscrita como F200, possui 107,2 metros de comprimento, equivalente a um campo de futebol, altura de 20,2 metros, similar a um prédio de seis andares, velocidade de 25 nós (cerca de 47 km/h) e autonomia de 5.500 milhas náuticas. Equipada com tecnologia de ponta, inclui sistema de combate integrado, sensores de última geração, radares de vigilância aérea e de superfície, sonar de casco, sistemas eletro-ópticos e infravermelhos, além de elementos stealth para dificultar detecção. Compatível com padrões da OTAN, o navio conta com armamentos como sistemas de lançamento de mísseis antinavio, mísseis antiaéreos de lançamento vertical, torpedos contra ameaças submarinas, canhão de 76 mm de tiro rápido, duas metralhadoras 12,7 mm e autoproteção contra mísseis. A tripulação de 154 militares, capacitada desde janeiro de 2024 com cursos técnicos e operacionais, acompanha os testes desde agosto para assumir a manutenção e operação.
Essa é a primeira de quatro fragatas previstas até 2029, que atuarão no controle de área marítima, defesa de ilhas e proteção de linhas de comunicações marítimas, além de escoltar outros navios. A segunda, Jerônimo de Albuquerque (F201), já está na água recebendo equipamentos, enquanto a terceira, Cunha Moreira (F202), tem o casco quase finalizado, e materiais para a quarta chegam ao estaleiro. O projeto reforça a presença da Marinha na costa brasileira e destaca o polo náutico de Itajaí, com faturamento anual estimado em R$ 611 milhões e 1,1 mil empregos no setor.