A Câmara Legislativa do Distrito Federal prepara uma sessão solene para homenagear a professora e ativista Lucinéia de Oliveira Santos no dia 27 de maio de 2026, entregando a primeira moção de louvor escrita em braille em 35 anos de história da Casa. O gesto, embora simbólico, evidencia a lentidão das instituições públicas em garantir acessibilidade real para pessoas com deficiência visual. Representantes de entidades, familiares e amigos da homenageada acompanharão a leitura da moção tanto em versão impressa quanto em braille, conforme determinação da deputada Dayse Amarilio (PT).
Reconhecimento tardio expõe falhas históricas
A iniciativa busca reconhecer mais de duas décadas de atuação de Lucinéia na defesa dos direitos das pessoas com deficiência visual. No entanto, o fato de a CLDF só agora adotar esse formato reforça a crítica de que órgãos públicos permanecem distantes de práticas inclusivas efetivas. A moção destaca o compromisso formal com a inclusão, mas deixa claro que medidas concretas ainda são escassas no Distrito Federal.
Urgência por políticas além de símbolos
Durante a solenidade, a deputada Dayse Amarilio ressaltará a importância do marco, enquanto Lucinéia de Oliveira Santos alertará para a necessidade de avanços práticos. Ainda há muito a ser feito. Precisamos de mais acessibilidade em todos os espaços, inclusive nos órgãos públicos. Essa moção representa um passo importante, mas precisamos transformar símbolos em políticas públicas efetivas.
O evento ocorre em momento em que a discussão sobre inclusão ganha força, porém revela o quanto o Legislativo local demorou para adotar ferramentas básicas de acessibilidade. A presença de familiares e ativistas reforça a cobrança por ações que vão além de homenagens pontuais e garantam direitos diários às pessoas com deficiência visual.