Pâmela Volp, a primeira mulher transexual eleita vereadora em Uberlândia, em 2016, pelo Partido Progressista, foi condenada a mais de 50 anos de prisão por liderar uma organização criminosa interestadual dedicada à exploração sexual de travestis e mulheres trans vulneráveis. Presa em novembro de 2021 durante a Operação Libertas, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de Minas Gerais, Volp é acusada de comandar o esquema por mais de três décadas, mesmo após sua eleição com 1.841 votos. As investigações revelaram práticas como cobrança de diárias abusivas em pontos de prostituição, torturas, extorsões e cirurgias clandestinas de implante de próteses mamárias. O Ministério Público aponta que Volp utilizava sua influência política e social para silenciar vítimas e perpetuar os abusos, com atividades estendidas a cidades como Criciúma, em Santa Catarina. Além disso, ela foi condenada em 2014 por tráfico internacional de pessoas e rufianismo, embora absolvida em segunda instância do tráfico, mantendo a pena por favorecimento à prostituição.
As condenações de Volp somam 52 anos, 3 meses e 3 dias de prisão, distribuídas em oito processos, incluindo crimes como roubo qualificado, extorsão, tortura, rufianismo, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Depoimentos de dezenas de vítimas descrevem um regime de medo, com agressões físicas, sequestros e monitoramento constante em alojamentos. Mesmo presa na Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga, Volp continuou liderando atos de violência, como espancamentos e “testes de orientação sexual” forçados entre detentos da ala LGBT+. O patrimônio acumulado, estimado em R$ 4 milhões, inclui carros de luxo, imóveis e joias, apreendidos como produto de lavagem de dinheiro. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais informa que ela já cumpriu mais de quatro anos de pena, permanecendo detida em Uberlândia.
A defesa de Volp, representada pela advogada Fabiane Martins, contesta a soma das penas, alegando que apenas um processo foi concluído e que a cliente é presa provisória, sem pena definitiva. Em nota, a defesa argumenta que as acusações baseiam-se em depoimentos inconsistentes e sugere perseguição transfóbica, buscando reverter as condenações. O Ministério Público esclarece que penas não foram unificadas devido a processos em andamento, e investigações sobre propinas não avançaram por falta de provas. O caso destaca como poder político pode mascarar atividades criminosas, impactando debates sobre representatividade e vulnerabilidades na comunidade trans.