segunda-feira , 12 outubro 2026
Início Política Ex-vereadora de Uberlândia: de ícone LGBT+ a condenada por rede de exploração sexual
Política

Ex-vereadora de Uberlândia: de ícone LGBT+ a condenada por rede de exploração sexual

323

Pâmela Volp, a primeira mulher transexual eleita vereadora em Uberlândia, em 2016, pelo Partido Progressista, foi condenada a mais de 50 anos de prisão por liderar uma organização criminosa interestadual dedicada à exploração sexual de travestis e mulheres trans vulneráveis. Presa em novembro de 2021 durante a Operação Libertas, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de Minas Gerais, Volp é acusada de comandar o esquema por mais de três décadas, mesmo após sua eleição com 1.841 votos. As investigações revelaram práticas como cobrança de diárias abusivas em pontos de prostituição, torturas, extorsões e cirurgias clandestinas de implante de próteses mamárias. O Ministério Público aponta que Volp utilizava sua influência política e social para silenciar vítimas e perpetuar os abusos, com atividades estendidas a cidades como Criciúma, em Santa Catarina. Além disso, ela foi condenada em 2014 por tráfico internacional de pessoas e rufianismo, embora absolvida em segunda instância do tráfico, mantendo a pena por favorecimento à prostituição.

As condenações de Volp somam 52 anos, 3 meses e 3 dias de prisão, distribuídas em oito processos, incluindo crimes como roubo qualificado, extorsão, tortura, rufianismo, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Depoimentos de dezenas de vítimas descrevem um regime de medo, com agressões físicas, sequestros e monitoramento constante em alojamentos. Mesmo presa na Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga, Volp continuou liderando atos de violência, como espancamentos e “testes de orientação sexual” forçados entre detentos da ala LGBT+. O patrimônio acumulado, estimado em R$ 4 milhões, inclui carros de luxo, imóveis e joias, apreendidos como produto de lavagem de dinheiro. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais informa que ela já cumpriu mais de quatro anos de pena, permanecendo detida em Uberlândia.

A defesa de Volp, representada pela advogada Fabiane Martins, contesta a soma das penas, alegando que apenas um processo foi concluído e que a cliente é presa provisória, sem pena definitiva. Em nota, a defesa argumenta que as acusações baseiam-se em depoimentos inconsistentes e sugere perseguição transfóbica, buscando reverter as condenações. O Ministério Público esclarece que penas não foram unificadas devido a processos em andamento, e investigações sobre propinas não avançaram por falta de provas. O caso destaca como poder político pode mascarar atividades criminosas, impactando debates sobre representatividade e vulnerabilidades na comunidade trans.

Conteúdo relacionado

Entrada de escola em Brazlândia com bandeiraço eleitoral
Distrito FederalPolíticaSegurança

Homem é preso por bandeiraço eleitoral em frente a escola de Brazlândia

Um homem não identificado foi preso na manhã de domingo, 4 de...

Kebec Nogueira / Metrópoles
Distrito FederalPolítica

Professor Robson vota e diz ter expectativas realistas sobre eleição no DF

Professor Robson, candidato do PSTU ao governo do Distrito Federal, votou na...

Congresso Nacional em Brasília simbolizando apoio político ao Senado Federal
Distrito FederalPolítica

Paula Belmonte apoia Erika Kokay ao Senado Federal

A candidata ao governo do Distrito Federal, Paula Belmonte (PSDB), declarou apoio...

PF instaurou 1.224 inquéritos por crimes eleitorais em 2026 Fernando Frazão/Agência Brasil
PolíticaSegurança

Polícia Federal registra 1.224 inquéritos por crimes eleitorais em 2026

A Polícia Federal registrou 1.224 inquéritos policiais relacionados a crimes eleitorais durante...