O mercado de açúcar enfrenta um período de preços pressionados devido ao avanço da oferta global prevista para a próxima temporada, conforme levantamento da Hedgepoint Global Markets. Consultorias apontam que a queda se intensificou após o açúcar bruto atingir o menor nível em cinco anos, a 14,04 c/lb, impulsionada pelo bom ritmo da produção no Centro-Sul do Brasil no segundo semestre da safra atual, que já supera o ciclo anterior. Esse superávit esperado para 25/26 reflete não apenas o desempenho brasileiro, mas também condições favoráveis no Hemisfério Norte, especialmente na Índia, onde o clima mais regular tem impulsionado a produção. A Tailândia também contribui com perspectivas positivas, reforçando a maior disponibilidade global que compensa a entressafra brasileira e fortalece o cenário de excedente.
Embora o ATR (açúcar total recuperável) tenha se mantido abaixo dos níveis médios, a moagem de açúcar se recuperou após julho, levando à manutenção das expectativas de uma moagem total em torno de 605 Mt de cana-de-açúcar, ligeiramente inferior a 24/25. Como o mix continuou em patamares elevados, com recorde na primeira quinzena de agosto, a produção acumulada para o ciclo 25/26 superou os níveis de 24/25 no final de setembro e deve encerrar a safra em alta, conforme análise de Laleska Moda, analista de Inteligência de Mercado de Café. Projeções indicam que a moagem brasileira manterá ritmo firme, sustentada pelo mix elevado, mesmo com a atratividade momentânea do etanol, resultando em uma oferta próxima de 40,9 Mt.
No Hemisfério Norte, as estimativas apontam para cerca de 10 Mt na Tailândia e quase 31 Mt na Índia, com parte destinada ao etanol e monitoramento contínuo das influências climáticas. O governo indiano autorizou exportações de 1,5 Mt, volume que pode ser ajustado conforme os preços e a paridade, contribuindo para a maior disponibilidade global e pressionando ainda mais os valores no mercado internacional.