O Governo do Distrito Federal (GDF) inaugurou oficialmente o festival Consciência Negra 2025 nesta quinta-feira (20/11), no Museu Nacional da República, com o tema “Raízes que conectam o futuro”. O evento, realizado pela primeira vez e considerado o maior do país dedicado ao Dia da Consciência Negra – que se tornou feriado nacional no ano passado –, reuniu milhares de pessoas em atividades gratuitas como exposições, oficinas, gastronomia típica, palestras, desfiles e shows de artistas como Alexandre Pires e Ludmilla. Durante a cerimônia de abertura, o secretário de Cultura do DF, Cláudio Abrantes, destacou o protagonismo da população negra e a promoção de ancestralidade, artes visuais, moda, literatura, debates e empreendedorismo. A solenidade incluiu a assinatura de atos institucionais, como o lançamento oficial do Dia da Consciência Negra para fomentar diálogo democrático e participação social, além da Resolução nº 02, assinada por Rosa Carla Monteiro, que institui o Comitê Permanente do Hip Hop do DF – uma iniciativa pioneira no Brasil reconhecendo o hip hop como expressão cultural essencial.
Participantes como Guará Freire, líder do grupo Boi do Seu Teodoro, enfatizaram a importância de abraçar a data para fortalecer a identidade cultural e comunitária, com cortejos que espalharam cor e alegria no local. Tamá Freire, integrante do movimento e historiadora, defendeu a educação como ferramenta para consciência social, por meio de projetos como Memória e Educação em escolas públicas de Sobradinho, onde estudantes vivenciam manifestações culturais. Empreendedoras como Valéria Marques, do Tacho de Yabá, e Elivandra Vieira, da Estillo Roots, destacaram o evento como espaço simbólico para o empreendedorismo negro, apresentando produtos como cocadas, acessórios afro e geleias, e reforçando o papel histórico das mãos pretas na culinária e moda brasileiras. Visitantes, incluindo Rosileide da Silva, expressaram otimismo com a evolução da consciência racial, enquanto famílias como a de Luiz Gustavo buscaram conscientização sobre o valor do negro na sociedade.
Projetos educativos também ganharam destaque, como a exposição Vivências do Projeto Retratos, idealizada por Amanda Luz e inspirada no trabalho de seu pai, Tony Luz, para combater racismo e violência em Ceilândia por meio da fotografia. Estudantes como Amanda Rodrigues, Gabriela Borges e Gabriel Máximo compartilharam experiências de autoestima e expansão de horizontes, com imagens que exaltam a força ancestral. O festival, que prossegue nos próximos dias, representa um marco político-cultural para o DF, promovendo inclusão e reconhecimento de expressões como o hip hop via edital de chamamento para eleição de representantes da sociedade civil no comitê, fortalecendo políticas públicas para o segmento.