O Hospital Universitário de Brasília (HUB), vinculado à Universidade de Brasília, reuniu na última sexta-feira (12) cerca de 100 pessoas, incluindo pacientes, familiares e equipe médica, para celebrar os resultados da Unidade de Transplantes, fundada em 2006. Desde então, a instituição realizou 522 transplantes de rim, 33 de medula óssea e 1.032 de córnea, com 107 procedimentos em 2025, distribuídos em 45 renais, 41 de córneas e 21 de medula óssea. Totalmente integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS), o HUB atende pacientes encaminhados pelo Complexo Regulador do Distrito Federal, preparando-os para os transplantes sob a coordenação de especialistas como o chefe da unidade, Gustavo Arimatea. Histórias de superação marcaram o evento, como a de Greicy Basilio de Araújo, de 39 anos, que superou um mieloma múltiplo com transplante de medula em julho de 2024 e agora celebra o “renascimento” proporcionado pelo procedimento, apesar de continuar em tratamento de manutenção.
Outro relato inspirador veio de Francineide Veríssima de Sousa Dantas, de 58 anos, que doou um rim ao marido, Luiz Lopes Martins Dantas, de 57 anos, diagnosticado com uma rara deficiência de Lecitina-Colesterol Aciltransferase (LCAT) em 2000. Após anos de diálise e espera na lista de transplantes, o casal realizou a cirurgia com sucesso em outubro de 2024, destacando o papel do amor familiar na doação viva. No entanto, desafios persistem: até setembro de 2025, o Distrito Federal registrou 226 notificações de potenciais doadores, mas apenas 46 se tornaram efetivos, com 80% das notificações não resultando em doações devido a contraindicações médicas e recusas familiares. A lista de espera ativa soma 1.443 pacientes, incluindo 936 para rim e 743 para córnea, sem registros pediátricos ou para pulmão, pâncreas e pâncreas/rim.
Para se tornar doador, basta comunicar a família, pois a autorização familiar é essencial após a morte encefálica confirmada. Doadores vivos podem oferecer rim, parte do fígado, medula ou pulmão, limitados a parentes até quarto grau ou com autorização judicial para não parentes. O Brasil, via SUS, financia 86% dos transplantes nacionais, e o Núcleo de Organização e Procura de Órgãos do HUB opera 24 horas para acolher famílias e coordenar doações, reforçando a necessidade de políticas públicas para ampliar a conscientização e reduzir as filas.