sábado , 17 janeiro 2026
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A fome invisível no Rio Grande do Sul: mães solo e o dilema diário pela sobrevivência

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No Rio Grande do Sul, 1,7 milhão de pessoas enfrentam insegurança alimentar, conforme dados do IBGE, revelando uma crise que obriga famílias a escolhas dramáticas entre comida, remédios e contas. Histórias como a de Jéssica de Mello, dona de casa que cria sozinha três filhos e um irmão, ilustram essa realidade. Debilitada pela perda de um pulmão e dependente de medicamentos caros, ela relata dias em que só há arroz na mesa, sem feijão ou azeite, deixando as crianças com fome. Semelhante é o caso de Camila Rodrigues, mãe de sete filhos, que se emociona ao prever um Natal sem presentes ou comida adequada, e de Alex Silva da Silva, desempregado, que deve optar entre comprar alimentos ou mimos para os filhos. Essas narrativas, ambientadas em periferias marcadas pela resistência, destacam como a falta de acesso regular à alimentação persiste, afetando sobretudo a primeira infância e deixando sequelas permanentes no desenvolvimento.

A nutricionista Mariana Petracco de Miranda alerta para os impactos da desnutrição, como perda de massa muscular, fraqueza, tontura, queda de cabelo e unhas fracas, além de agitação e falta de concentração em crianças. No estado, de 2021 até este ano, 1.271 crianças e adolescentes foram internados por desnutrição, com os mais vulneráveis sendo meninos e meninas de 0 a 4 anos (3,3%) e de 5 a 17 anos (3,8%). Mara Regina Carvalho, avó de quatro netas, chega a abdicar de sua própria refeição para alimentá-las, chorando em segredo. Regina Lourenço, mãe solo de três crianças, convive diariamente com o apelo dos filhos por comida, reforçando o perfil identificado pelo pesquisador Juliano de Sá: mulheres pretas da periferia, mães solo, são as mais afetadas.

Juliano de Sá enfatiza que a solução reside em políticas públicas, mobilização e investimentos para garantir acesso a alimentos adequados e saudáveis, especialmente para famílias com crianças. Enquanto isso, o medo de Jéssica de Mello ecoa: o receio de não prover o básico ou deixar os filhos desamparados em caso de agravamento de sua saúde. No Brasil, 18,9 milhões de famílias lidam com insegurança alimentar grave, demandando ações urgentes para mitigar esses efeitos sociais profundos.

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