domingo , 11 outubro 2026
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Polêmica em Botafogo: desapropriação de prédio ativo pela Prefeitura do Rio beneficia FGV?

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A Prefeitura do Rio de Janeiro, sob comando do prefeito Eduardo Paes (PSD), publicou um decreto no final de novembro desapropriando um prédio em Botafogo, na Rua Barão de Itambi, alegando utilidade pública e renovação urbana. O imóvel, que abriga um supermercado e uma academia, seria leiloado por hasta pública com base em uma lei municipal de janeiro de 2024, que permite desapropriações para fins de interesse público. No entanto, a decisão gerou controvérsia ao revelar que a iniciativa atende a um pedido da Fundação Getulio Vargas (FGV), interessada em expandir suas instalações na área para criar um centro de pesquisa em Inteligência Artificial. Inicialmente, a FGV negou conhecimento do assunto ao g1, mas após declarações de Paes, confirmou o projeto, destacando seu potencial como referência para o Rio e o Brasil. O prefeito justificou a ação afirmando que o supermercado estaria desativado e que o novo uso traria vantagens à cidade, embora tenha prometido analisar detalhes adicionais.

Moradores e empresários locais reagiram com indignação, argumentando que o prédio nunca esteve abandonado e cumpre função social essencial no bairro. O aposentado Paulo Maurício Figueira de Queiroz criticou a medida como absurda e mencionou um abaixo-assinado para revogar o decreto, enfatizando a importância do supermercado e da academia para a comunidade. O jornalista Leonardo Salles da Silva reforçou que o comércio ativa a área, promovendo segurança e movimento. O proprietário do imóvel, Arthur Sendas Filho, do Grupo Sendas, contestou as alegações de inatividade, afirmando que o supermercado fechou temporariamente para troca de bandeira, com reabertura prevista para janeiro, e que todos os impostos estão em dia. Sendas criticou o uso de instrumento público para beneficiar uma entidade privada como a FGV, questionando a visão do prefeito sobre as necessidades locais.

O vereador Pedro Duarte (sem partido) enviou requerimento à prefeitura solicitando explicações sobre os critérios e estudos técnicos que embasaram o decreto, apontando possíveis irregularidades em um imóvel que atende à população. Até o momento, a prefeitura não respondeu às indagações. A controvérsia destaca tensões entre desenvolvimento urbano e interesses comunitários, com o projeto da FGV no centro do debate político.

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