terça-feira , 13 outubro 2026
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COP30 em Belém: Brasil assume protagonismo climático em meio a controvérsias e ausências globais

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A 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, COP30, inicia oficialmente hoje em Belém, reunindo representantes de 194 países e da União Europeia, além de organizações multilaterais e entidades. Dez anos após o Acordo de Paris, que visa limitar o aquecimento global a 1,5°C, o evento ocorre em um contexto de tragédias ambientais recentes, como o tornado no Paraná e chuvas no Sul do Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará da cerimônia de abertura, conduzida pelo secretário-executivo de Mudanças Climáticas da ONU, Simon Stiell, que alertou para a urgência de ações contra eventos como o Furacão Melissa no Caribe e tufões no Vietnã e Filipinas. Lula enfatizou o compromisso brasileiro com o Acordo de Paris, defendendo medidas adicionais para superar a lacuna entre retórica e realidade, embora tenha evitado a polêmica da exploração de petróleo na Margem Equatorial, criticada por contrariar a transição energética.

Especialistas apontam chances restritas de avanços concretos devido à ausência dos Estados Unidos, que abandonaram o Acordo de Paris, potencialmente criando lacunas no financiamento climático. Um estudo do Programa da ONU para o Meio Ambiente revela que, mesmo cumprindo as Contribuições Nacionalmente Determinadas atuais, o mundo caminha para um aquecimento de 2,3°C a 2,5°C até o fim do século, distante da meta de menos de 2°C. Anna Cárcamo, do Greenpeace Brasil, destacou a necessidade de os países desenvolvidos assumirem mais responsabilidade em recursos e liderança, especialmente após o plano de US$ 1,3 trilhão anual proposto na COP29 em Baku. O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, clamou por ambições maiores, enquanto o governo brasileiro aposta no Fundo de Florestas Tropicais para Sempre, com meta de US$ 10 bilhões até 2026, já alcançando US$ 5,5 bilhões, segundo a ministra Marina Silva. Cárcamo elogiou o fundo, mas sugeriu melhorias, como alocação mínima de 20% para povos indígenas e comunidades locais.

O evento, esperado para atrair 50 mil pessoas, divide-se em Zona Azul para negociações oficiais e Zona Verde para diálogos públicos e inovações sustentáveis. Iniciativas paralelas incluem a Casa do Seguro, montada pela Confederação Nacional das Seguradoras, com foco em resiliência climática por meio de temas como infraestrutura e energias renováveis, destacando o papel do setor em prevenção e adaptação.

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